Marrocos, a minha primeira viagem fotográfica

A viagem de Marraquexe até Merzouga foi a minha primeira viagem fotográfica a sério. Estive muito mais focado em desenvolver competências com a máquina nova, uma Sony A7ii. Assim decidi escrever sobre a última parte da viagem a Marrocos, conjugando com o convite que a @momondo fez para escrever sobre o que nos apaixona, neste caso a fotografia em viagem. Cada dica que achei importante, deixei em legenda nas próprias fotos!

Já há quatro anos que ando vidrado no vídeo e achei que era altura de fazer algo de diferente. É engraçado porque muitos pensam que quem faz vídeo, faz fotografia. Mas não nos esqueçamos que são disciplinas diferentes. Como levo isto como um hobbie, nunca conseguiria avançar com o conhecimento das duas ao mesmo tempo, por isso, este ano tenho investido muito mais na fotografia. Ainda assim fiz o vídeo da viagem, que podes ver aqui, antes de leres o post completo.

Neste post vou tentar dar algumas dicas de como tirei as fotografias e destacar os pontos turísticos da viagem entre Marraquexe e Merzouga. Não sou um expert. São algumas dicas que, na minha opinião, melhoram instantaneamente fotógrafos menos experientes. Ainda assim, recordo que tudo o que sei é porque me interesso. Nunca tirei nenhum curso. Em algumas fotografias vou deixar as dicas que são mais oportunas! 

Já passou algum tempo sobre o último post sobre Marraquexe. Foram apenas dois dias completos, mas que no meu entender chegam bem para uma primeira abordagem a Marrocos. Algumas pessoas gostam de “devorar” um destino, não deixando espaço para uma futura visita. Acho importante deixar coisas por ver porque fica aquele desejo de voltar. Quanto ao resto da viagem por Marrocos, as paisagens mudam imenso, por isso existem sítios lindíssimos por onde passei que nem sei o nome. Embatemos de frente com a beleza deste país. Nunca julguei que se tornasse numa experiência inesquecível e tão diversa.

Passo então aos destaques destes 5 dias de viagem com a Janka Tours.

Alto Atlas e Aït Ben Haddou

Arrancámos cedo do Riad Zaki até parar pela primeira vez.  Passadas várias dezenas de quilómetros já não estavam 40º como em Marraquexe. No topo das montanhas do Atlas, 15º convidam a um cházinho, num estabelecimento à beira da estrada. Estiquei as pernas e tirei a máquina da mochila. Estava a 2000 metros de altitude, e com alguma probabilidade apanha-se escarpas com neve. A altitude máxima destas montanhas é de 4167 metros em Jbel Toubkal. O Atlas é um lugar obrigatório de passagem para a zona do deserto, até Merzouga. Nestas montanhas levámos com o primeiro embate com a cultura berbere. Aldeias isoladas, rios secos que só correm no Inverno, populações que apenas vivem do pastoreio, agricultura e turismo, vendendo artefactos junto à estrada. Os berberes foram “baptizados” pelos romanos quando invadiram esta zona, e mantém as suas tradições até hoje.

Fomos fazendo caminho até Ait Ben Haddou. Um verdadeiro tesouro já classificado como património da humanidade pela Unesco. Foi palco de alguns filmes como a Múmia e Gladiador. Visitámos a vila com Mohamed, um berbere de turbante amarelo, que podem ver no vídeo que fiz. Ele mostrou como a cidade cresceu ao longo dos séculos. As várias fortalezas delimitam os séculos de crescimento e, a seus pés, passa o rio Drá, que nessa altura do ano está seco. Andei por dentro de algumas casas abandonadas, atalhos, até chegar ao topo, onde pude captar a paisagem. Esta cidade transmite algum misticismo, e os relatos do guia transportam-nos para outros tempos. A localização da cidade é estratégica. Da colina consegue-se ver toda a planície adjacente e perceber que foi, outrora palco de grandes guerras.

Marrocos Alto atlas João Tiago Oliveira

Marrocos Alto atlas João Tiago Oliveira
Dica Fotográfica: Isola o objecto. Para captares momentos tens de ter uma lente com um f baixo. É importante manteres o objecto ao centro da fotografia para trasmitir o efeito desejado.
Marrocos Alto atlas João Tiago Oliveira
Dica Fotográfica: Para captares fotografias de paisagem ou panorâmicas coloca o f alto, por exemplo 10 ou 11.

Marrocos Alto atlas João Tiago Oliveira

Marrocos Alto atlas João Tiago Oliveira
Dica Fotográfica: quando queres tirar uma fotografia de paisagem, tenta lembrar-te de que podes estar incluido(a). A foto ganhará automaticamente maior interesse!
Marrocos Alto atlas João Tiago Oliveira
Dica fotográfica: Não temos de estar a olhar para a máquina sempre que queremos ser fotografados. Pede a alguém que te vá fotografando enquanto caminhas distraidamente pelo local.

Marrocos Alto atlas João Tiago Oliveira

Ait ben haddou marrocos joao tiago oliveira

Marrocos Alto atlas João Tiago Oliveira
Dica Fotográfica: Sempre que puderes tira a fotografia em formato RAW. Estes formatos contêm muito mais informação para que possas editá-las em programas próprias.

 

Kasbah Amiridil e Vale de Dades

As Kasbah fazem lembrar “casas” na nossa língua. Talvez seja daí que vem o nome.

Tinhamos saído de Ait Ben Haddou em direcção a Dades. No entanto fora de Marraquexe vêem-se imensas placas com o nome Kasbah. A Janka Tours tinha preparado uma visita numa das mais bem preservadas que se conhecem. Estas casas são construções de madeira, palha e lama. Pode parecer esquisito, mas parecem muito consistentes. Amridil é um autêntico museu dos costumes berberes. Tem os utensílios muito bem preservados e consegui colocar-me na pele daqueles habitantes, e de como vivem nestas zonas. Outro facto que desconhecia é a abundância de água que este país tem. Uma grande parte da produção agrícola é exportada para a Europa. Mesmo quando os rios estão secos, a água continua a correr por baixo do subsolo, o que alimenta o verde dos oásis.

Este primeiro dia é bastante cansativo porque são cerca de 350 km em 6 horas de viagem de carro, sem contar com as paragens. Mas o dia acabou num sítio fantástico, o Ksar Sultan Dades. Podes consultar os preços pela plataforma da Momondo clicando no link.

Mas estava na hora de descansar. Este alojamento tem umas condições excelentes e a experiência gastronómica foi muito boa. Ainda com energia, aproveitei para fazer um pequeno vídeo.

Dades é uma região paisagística muito bonita, algo que apenas veríamos no dia seguinte. 

Kashbah marrocos João Tiago Oliveira

dades marrocos João Tiago oliveira
Dica fotográfica: Aproveita para tirar fotografias em contraluz. Ficam bem se a tua máquina tirar fotos em HDR.

dades marrocos João Tiago oliveira

vale de dades marrocos joao tiago oliveira

 

Gargantas del todra

Acordar no vale de Dades é fantástico. Só de manhã me apercebi da beleza do mesmo. É uma pena que em Marrocos não se pode voar o drone. Teria captado umas boas imagens neste país.

Saímos do hotel em direcção à Garganta del Todra, mas sem antes fazer um pequeno desvio aos estranhos “Dedos dos macacos“, umas construções montanhosas a que os locais dão a esse local. Mas permitiu permitiu umas fotografias muito engraçadas.

Voltámos ao caminho até ao espetacular miradouro da Garganta del Todra. As ruas em zig zag já se tornaram um símbolo dos tours até ao deserto do Sahara. A máquina ainda nem tinha aquecido a mochila e já estava a sair outra vez.

A paisagem muda completamente apenas em algumas horas. Impressionante como veremos…

dades marrocos João Tiago oliveira
Dica Fotográfica: corta a fotografia para eliminares os elementos que não desejas captar. Assim, a fotografia terá muito mais impacto.
dades marrocos João Tiago oliveira
Dica fotográfica: Adiciona um acessório de moda ao teu guarda roupa para te fazer sobressair na fotografia.

todra marrocos joao tiago oliveira

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Dica fotográfica: Por vezes apenas temos de parar o carro e aproveitar o que a paisagem tem para nos dar!

garganta dele todra marrocos joao tiago oliveira

Os dromedários e dormir no Deserto de Merzouga

Em direcção ao deserto….

As paisagens sucedem-se. Ultrapassadas as montanhas e os vales de Dades, dirigimo-nos para o momento aúreo da viagem: a visita ao deserto do Sahara e a noite no acampamento. Era uma viagem de cerca de 3 horas. Muitas vezes a estrada desaparecia e o Amid seguia os instintos (e talvez sinais visuais que conhecia).

Aqui se desfez outra ideia pré concebida do turismo nos desertos. As dunas alaranjadas são apenas partes insignificantes do deserto do Sahara. Uma grande parte dele é o chamado deserto negro. Convido-te a ver isso no Google maps. Apenas a mancha laranja junto a Merzouga são as “famosas” dunas alaranjadas. Os acampamentos ora estão na orla das dunas ora no meio.

Chegámos por volta das 16 horas a Merzouga e montámos os nossos dromedários (em Marrocos não há camelos), fazendo caminho até ao acampamento Horaz Luxury Desert Camp. Este fica a cerca de uma hora de dromedário. Mas optei por fazer parte do caminho no jipe do alojamento, que nos apanhou a meio do percurso.

A experiência de dormir no deserto é fantástica. À chegada somos brindados com um chá e podemos disfrutar do pôr do sol nas zonas de sofás. Não estava muito calor o que permitiu esperar pelo jantar comodamente deitado nas almofadas! O que mais gostei do acampamento foi a equipa de animação. Tocam música berbere e foram bastante interactivos. Tocamos tambor e tal! Porreiro! Já para não falar de um facto extraordinário. Tínhamos o acampamento só para nós. Não estava mais nenhum hóspede!

Excepcionais foram as condições do quarto. Nem parece que estamos no deserto. Se precisássemos tínhamos aquecimento. É um quarto convencional dentro de uma tenda robusta e super bem decorada. A noite foi muito confortável.

deserto sahara marrocos joao oliveira
Dica fotográfica: Aproveita algumas nuvens para captar a paisagem. Vão existir lugares com diferente iluminação para criar um efeito visual mais potente

deserto sahara marrocos joao oliveira

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Dica fotográfica: Utiliza os vários planos: perto, médio e longo.

deserto sahara marrocos joao oliveira

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Rally no deserto e o deserto Negro

O tempo não esteve de feição para captar o pôr e o nascer do Sol. Esteve sempre nublado. Quando é assim não podemos bloquear. Há tanta coisa que pode ser o objecto ideal para uma boa foto. Basta puxar pela imaginação e disparar. É nestes momentos que desenvolvemos algumas competências.

Logo pela manhã é hora de sair do deserto. Ainda fiquei por ali a ver se o Sol aparecia, mas nesse dia não queria nada comigo. Entrei no Jipe e o condutor acelerou para uma autêntica experiência no Deserto. O Rally Dakar passava nesta zona: “A Elizabete Jacinto vem todos os anos treinar para aqui” dizia ele enquanto desbravava mais umas dunas. A sensação é fantástica. Apesar de pensarmos que o carro se vai afundar na areia, isso nunca aconteceu. Fomos fazendo os altos e baixos das dunas por uma areia incrivelmente consistente. Mas as cores estavam maravilhosas, especialmente o cor de laranja das dunas.

Depois de sair desta zona de dunas, contorna-se o deserto para a zona do deserto negro. Amid, da Jankar Tours disse-nos que íamos procurar os nómadas, as tribos que, como o próprio nome indica, saltam de lugar em lugar em busca de pastoreio. “Pastoreio?”, perguntam vocês? Pois, o deserto, no seu subsolo, tem bastante água. Por exemplo, o acampamento de Horaz tinha um poço próprio. Mais! Fomos visitar um autêntico lago, perto de Méridja onde centenas de aves discutiam o “sexo dos anjos”. Relativamente aos nómadas é possível tomar um chá com eles, no entanto não se proporcionou esta “aventura”. Sinceramente tive algum receio acerca da higiene. Acredito que corresse tudo bem, mas resolvi não experimentar.

Tive a tarde livre e fiquei alojado no Riad Madu. Pesquisa aqui alojamentos pelo site da Momondo.

deserto sahara marrocos joao tiago oliveira

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Dica fotográfica: experimenta um angulo diferente. De drone ou de angulo inferior, estas fotos costumam captar a atenção.

deserto sahara marrocos joao tiago oliveira

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riad madu joao tiago oliveira

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Aldeia de Khamlia e os Sudaneses

Ainda de manhã visitámos esta aldeia. Nela habitam maioritariamente descendentes de sudaneses, trazidos como escravos para trabalhar no campo e pastoreio. Hoje em dia é uma aldeia pacata, onde é possível ouvir a musica Gnawa. No vídeo apanhei alguns momentos desta visita. Foi servido um chá  de menta delicioso! Ficámos a ouvir música e a degustá-lo! Um excelente momento à sombra. Mesmo assim, o chá quente caia bem! Parece que nos despertava das temperaturas altas.

Aldeia de Khamlia e os Sudaneses

 

Ouarzazate e os estudios de cinema

Ouarzazate foi um dos últimos destinos de Marrocos. A última paragem antes do regresso! A cidade do cinema, onde ficam os estúdios Cinema Atlas.

Esta cidade cresceu em torno do cinema. Aqui foram criados os estúdios de Gladiador, Babel, Missão Cleopatra entre outras. O bilhete inclui visita guiada em várias línguas. Infelizmente, não existe em português. Mas a visita é bem interessante, e passei pelos vários cenários ainda montados. Alguns são reaproveitados para séries e filmes actuais. Nessa altura estavam a preparar filmagens para uma série italiana.

Em Ouarzazate fiquei alojado no Riad Dar Chamaa. Experimenta a plataforma da Momondo para pesquisar alojamentos em Marrocos.

A viagem chegou ao fim. Mas ainda fiquei com alguns momentos por contar. As paisagens de Marrocos são maravilhosas e a cultura deste país consegue acompanhá-la!

cine atlas marrocos

cine atlas marrocos

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Espero também que tenham gostado das dicas fotográficas (ficaram nas legendas).

Esta viagem foi realizada com a Janka Tours.

Obrigado e boas viagens!!

 

#owtravelers #admomondo

Da ficção à vida real: viagens inspiradoras

A @Momondo perguntou aos seus embaixadores que obra de ficção nos inspirou a visitar um destino em particular. E deixou-me a pensar…

E lembrei-me logo de Londres e dos cenários ligados ao James Bond, o famoso agente secreto 007. Aquela metrópole é qualquer coisa de extraordinário, até porque os londrinos conseguem preservar bem os detalhes da sua história. Ou terá sido ao contrário? Os filmes é que retrataram bem os detalhes históricos da cidade de Londres!?

Anyway, o que interessa é que entramos em Londres e os cenários vêem-nos logo cabeça. As referências visuais são imensas, se não vejamos:

  • Os taxis pretos modelo Austin FX4 estão por todo o lado
  • O Rio Tamisa foi palco de imensos combates e duelos e é o veio central da cidade, com imensas atrações na sua orla. Principalmente quando passavam em frente à roda gigante (London eye)
  • A sede do MI6 é junto ao rio Tamisa
  • Westminster e a Downing street ficam pertísssimo uma da outra e relembram-nos os meetings entre o agente secreto no inicio dos filmes.
  • A igreja de S. Paul também apareceu recentemente no filme intrepretado por Daniel Creg.
  • Buckingham Palace ainda é morada da rainha Isabel II. À porta ainda encontramos a guarda real que tantas vezes aparece nas películas.

A lista é infidável. Mas lembro-me que quando voei para Londres, senti-me logo em casa. Era como se já lá tivesse estado. É uma cidade que dá vontade de conhecer em busca de todas as referências visuais e históricas. E os voos são mesmo baratos!

Vê os meus dois artigos sobre Londres e Londres Clássica.

 

#owtravelers #admomondo

6 de Agosto – As minhas almas de viajante

Hoje é dia de aniversário.

A @Momondo quer que eu viaje no tempo e identifique o momento em que tomei noção da minha alma de viajante! Sem sombra de dúvidas que tive que “viajar” algumas décadas para trás. E sugiro que faças esta viagem também. Desde quando é que sentes que tens alma de viajante?

Podia dizer que foi desde que me casei, há 5 anos, quando eu e a Ana começamos a palmilhar o mundo com 3 a 4 viagens por ano.

Podia dizer que foi por inspiração dos meus cunhados, o Miguel e a Cláudia. Desde à 12 anos que palmilham o mundo, primeiro em viagens de avião e agora de autocaravana.

Podia dizer que foi graças à TAFEP (Tuna académica da Faculdade de Economia do Porto), que em várias digressões, atravessámos ruas e palcos da Europa e Canadá, encantando os mais diversos públicos.

Podia dizer que foi disto tudo.

Mas lá no fundo foi graças aos meus pais. À minha mãe porque viajou de Portugal para o Brasil ainda nova, tendo voltado aos 14 anos para Portugal. E ao meu pai, que há mais de 36 anos fez um inter-rail pela Europa, visitando as principais capitais europeias. Juntos levaram-nos (a mim e ao meu irmão André) a conhecer Portugal, nas férias e aos fins de semana. Juntos fomos de carro a Madrid, Barcelona e Paris, num citroen ZX. Muitas vezes andámos de roulote por Portugal e Espanha, desbravando estradas e horas de viagem. Juntos fizemos as primeiras viagens de avião, quando há 15 anos atrás íamos para as Canárias ou Maiorca, e nos encentivavam a bater palmas quando o avião aterrava (nessa altura ainda se batiam palmas!!!).

E assim continuam, a viajar e a descobrir, mostrando que ao invés de “parar é morrer”, viajar é viver! Hoje continuam a planear visitar novos países e lugares.

Este é o nosso mapa mundo, num total de 38 países visitados.

Desde há 36 anos que o dia de hoje é especial. Hoje fazem anos de casados.

Muitos parabéns! Não percam essa energia, nem deixem de dar as mãos, porque isso inspira!

#owtravelers e #admomondo