Havana, Cuba


“Na época colonial era quase impossível invadir Havana por mar. Com tantas fortalezas, era uma cidade impenetrável” – Dizia-nos Hugo, o nosso guia.

E assim começou a nossa visita por Havana. Tínhamos chegado no dia anterior, tendo ficado mais de uma hora à espera da nossa mala, no aeroporto. Logo a seguir, um senhor bem arranjado, já nos impingia um táxi para o centro da cidade por 35 Cuc.

“Demasiado caro” – disse eu. Fomos trocar dinheiro e consegui negociar a ida até à Casa El Mirador por 20 Cuc.

Na manhã seguinte, levantámos cedo e fomos ter com o Hugo em frente ao famoso bar “El floridita”, o nosso guia da manhã.

“No época colonial era quase impossível invadir Havana por mar. Com tantas fortalezas, era uma cidade impenetrável”.
Percorremos as quatro praças de Old Havana, como lhe chamam. O centro histórico é muito fácil e rápido de conhecer. Teria feito sozinho, no entanto, aproveitando a cortesia da Havanacar, conseguimos saber muito mais da história da cidade, incluindo os seus monumentos, praças principais, costumes e a ligação de Hemingway à cidade. A destacar os seguintes pontos: Hotel Ambos Mundos onde Hemingway dormia, tem um rooftop fantástico onde podes observar todo o centro de Havana, ao mesmo tempo que tomas um refresco. Uma linda vista a 360º sobre a cidade; No Café El Escorial tomámos um café expresso maravilhoso. Aqui podes aproveitar para trazer uns sacos de grão ainda por moer. O Hugo disse-nos que em grão, só há café de manhã, pois esgota com frequência; El Floridita, onde tens mesmo de tomar o seu famoso daiquiri. Hugo explicou-nos que este bar ficou conhecido pelas visitas de Hemingway o visitava diariamente, depois de vir da pesca. Mas realmente, o daiquiri é muito bom. Tens de o provar!
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As histórias que o Hugo nos contou são infindáveis. Aproveitámos para lhe fazer imensas perguntas sobre o regime e as fantasias europeias sobre Cuba. O Hugo respondeu sempre abertamente, e posso dizer que fiquei com uma ideia bem mais clara sobre os cubanos e o que pensam do comunismo, e como olham o mundo.

Se observarmos, ainda são um povo sob enorme controlo do Estado. O acesso à internet é muito limitado, por exemplo. Encontramos praças de wi-fi pela cidade, repletas com centenas de pessoas a conectarem-se. Se porventura também quiseres usufruir é super fácil. Perto destas praças existem lojas que vendem cartões com internet. Basta comprares um (1,5Cuc – 4,5Cuc) para uma hora de navegação. Mas existem outros constrangimentos. Um cubano não pode sair livremente do país, não existem partidos de oposição e a maior parte da economia é controlada pelo Estado. Por isso, quando vais a um restaurante é quase um favor pedir que te serviam. No fundo não querem saber!

Depois de almoço a Havanacar.net ofereceu-nos uma visita de carro clássico pela cidade. O nosso carro era um Buick Pink Electra de 1957 e o motorista era o simpático Javier! Um jovem da região de Varadero, que estava a trabalhar em Havana. Dizia que se ganhava muito mais a trabalhar para o sector privado, do que para o Estado.

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Saímos do Parque Central e atravessámos logo o Passeo del Prado em direcção ao túnel de Havana. Do outro lado, conseguimos ter uma boa perspectiva da cidade quer do Cristo Rei de Havana, quer da Fortaleza de San Carlos de la Cabaña. Voltámos ao carro e dirijímo-nos novamente para a cidade. Agora percorrendo toda a marginal El Malecón até ao Avenida Paseo, fazendo assim a orla do El vedado, que é outro bairro muito conhecido da cidade. A Avenida Paseo dirige-nos até à Praça da Revolução onde encontramos as faces da revolução – Fidel e Che. Também era aqui que Fidel discursava durante horas para o seu povo.

Por fim visitámos o Bosque de Havana, onde passa o Rio Almendares, visinho do Bairro Chino (Chinatown). Podes ver esta viagem de carro noutro post sobre a Havanacar. Se puderes, aproveita para contratar um serviço destes! Vais ver que vale a pena. É uma experiência inesquecível e uma excelente oportunidade para conhecer mais sobre a cidade.

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Sobre a alojamento. Já tinha referido que tínhamos ficado numa casa. Estas são autênticos Bed&Breakfast. O site por onde aluguei foi o Bbinnvinales, sugerido por uma amiga minha que tinha ido no ano anterior. Ficámos quatro noites na Casa El Mirador. Optámos por esta solução porque tudo o que lia sobre os hotéis em Havana não iam ao encontro do que queria. Tudo caro e com mau serviço. Por isso, preferimos instalar-nos mesmo no centro de Havana velha e durante três dias estar no centro de outro mundo, que não o turístico.

Júlio, o dono da casa, médico, tinha uma gentileza descomunal. Simpático, prestável e procurava sempre entender-nos. À nossa disposição tínhamos o nosso quarto, com suite (que era limpo todos os dias). Podíamos estar nas zonas comuns e tinha todas as condições para o alojamento. Demorávamos cerca de 20 minutos a chegar ao centro (Parque Central) a pé.

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No caminho conseguíamos ver o dia a dia dos cubano. Estávamos quase no centro e, atravessando a rua de San Rafael ficámos a perceber o ritmo da cidade. Este bairro não é muito rico: as casas estão degradadas e as ruas não cheiram propriamente bem. No entanto, passámos vezes sem conta por sítios, aparentemente assustadores e não nos abordavam. Sempre muito tranquilo. Mesmo de noite, com as ruas com pouca iluminação, os cubanos mantém as portas de casa abertas e consegues ver as famílias a ver televisão nas salas. Algo impensável nas grandes metrópoles europeias.

No segundo dia fizemos uma excursão a Viñales.

No terceiro dia em Havana aproveitámos para ter um dia livre, aproveitando para caminhar pelas ruelas coloniais. Um facto importante sobre o país é que os preços praticados são iguais em todo o lado. Tanto em Havana, como em Viñales como em Varadero. E estou a falar de artigos como bebidas alcoólicas, tabaco e outros recuerdos. É impressionante entrar nas mercearias e ver os mesmos produtos em todas elas, ao mesmo preço, com a particularidade de não haver concorrência. Ou seja, shampoo só há uma marca, mel só há uma marca, manteiga só há uma marca… Engraçado não? Isto acontece devido ao embargo sob o qual Cuba está subjugada. É um país que produz tudo o que necessita. Além disso, é o único país do mundo que tem duas moedas em circulação: O Cuc e a moeda nacional. A relação é de 1Cuc=25 moeda nacional. Aparentemente, não vi vantagem em terem estas duas moedas. Quando fores ao banco levantar dinheiro, dão-te em Cuc. Tenta sempre receber o troco nessa moeda, porque é a mais transaccionada e aceite. O difícil é destingir as duas. É só uma questão de atenção.

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Faltavam só ver alguns pontos de Havana. Passámos no Capitólio, que estava em manutenção; visitámos a Estação de comboios, onde encontrámos umas crianças a brincar, junto às locomotivas museu; almoçámos uma lagosta (que é relativamente mais barata do que em Portugal); desfilámos na rua Obispo, uma das mais movimentadas e com maior fluxo turístico e fomos ver o pôr do Sol à Malecón. Um dia perfeito!
Agora estava na hora de ir para Varadero!

Alojamento 4 noites na Casa El mirador – 100Cuc. Podes contactar pelo site, ou directamente com o Julio, através da página do Facebook @elmiradorhavana.
Tour a pé (3 horas) – 40Cuc
Tour em carro clássico (3 horas) – a partir de 90 Cuc (depende do percurso e do número de ocupantes)
Para marcares e contactares a Havanacar- O Stefano responde-te muito rapidamente.
Site – www.havanacar.net
Tripadvisor – Havanacar
Facebook – @cubataxi
Fica aqui o video:


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